segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Cidade/ Educação



Corte de caronas no transporte escolar coloca em debate um costume antigo

"Comércios da cidade registra queda nas vendas"
(Foto: internet)
   

        A REDAÇÃO - O município de Vermelho Novo, assim como muitos municípios brasileiros, tem uma população tipicamente rural. E muitas atividades do dia-a-dia só podem ser realizadas na cidade: consultas médicas, assuntos religiosos, compras de mercadorias. Afinal, o que não falta é assuntos para serem resolvidos, porém muitos não possuem meios de locomoção e a carona no transporte escolar é o único jeito de se chagar à cidade, pois para muitos a distância que separa o campo da cidade é muito grande.
       No início deste mês as pessoas que tinham o habito de usar o transporte de alunos para chegar na cidade tiveram uma surpresa desagradável. A prefeitura cortou as caronas, e a cidade que nos períodos de aulas ficava com um movimento intenso de pessoas, agora está praticamente vazia. O problema, segundo informações, foram as reduções de metade das linhas do transporte escolar no município. O objetivo da administração, ainda segundo informações, é diminuir gastos. A reorganização gerou tumulto e já no primeiro dia de aula, muitos pais de alunos estiveram na prefeitura para questionar alguns problemas nas linhas, dentre eles as condições dos ônibus e das estradas rurais.
       No dia em que a medida foi aplicada muitos caroneiros tiveram que voltar dos pontos, alguns pais estavam com crianças para o primeiro dia de aula, como os filhos não queriam ir sozinhos e os pais não podiam acompanhá-los, gerou transtornos.
O CASO
(Foto: internet)
      A oferta de caronas nos ônibus escolares de Vermelho Novo acontece desde quando inciou o município, apesar de irregular não se tem registro de transtornos causados aos alunos atendidos, pois os usuários, "caroneiros", são geralmente pessoas residentes na própria comunidade e até mesmo são familiares dos estudantes. "É muito difício para nós que moramos na roça chegar à rua. Hoje eu tinha consulta e tive que sair de casa ás 5:30 para conseguir chegar às 7:20. Agora tenho que retornar para minha comunidade que fica bem longe daqui", contou a moradora da zona rural Maria de Almeida, que caminhou seus 10 Km para chegar à cidade, mas que teria de voltar para sua localidade, completando assim os seus 20 Km, debaixo de sol forte e muita poeira.
       Sem as famosas e costumeiras caronas muitas pessoas estão buscando alternativas antigas como a compra em estabelecimentos localizados na área rural, e quando se trata de assuntos que só podem ser resolvidos na cidade, meios de locomoção que quase não se via nas estradas da região passou a aparecer, como a velha bicicleta, o cavalo e a rústica charrete estão de volta, porém a maioria dos moradores estão caminhando até à cidade.
O COMÉRCIO
      Com o corte dos caroneiros o comércio da cidade está sentindo os reflexos da medida e em duas semanas a queda nas vendas já são grandes. "A queda nas vendas é causada pelo pouco movimento de pessoas da zona rural, pois são eles que mantém o comércio da cidade", disse um comerciante que não identificou. Em alguns comércios a queda chega a 30 %. "Quem vem da roça sempre compra algumas coisa, mesmo que seja simplesmente um picolé, pães, bala, mas isso aquece as nossas vendas", contou um outro comerciante, que também preferiu não se identificar.
A LEGISLAÇÃO
     De acordo com o governo federal a proibição das caronas leva em conta vários fatores, um deles é que: "o motorista e os alunos presentes no ônibus podem contar com o seguro em caso de acidentes ao contrário de caroneiro, que não tem direito ao benefício. Isso pode gerar um processo contra o motorista e contra o município, caso ocorra um acidente". Os estudantes com direito ao transporte escolar são os alunos da educação básica, tanto estadual quanto da rede municipal.
    As prefeituras têm autonomia para utilizar as verbas federais e estaduais da maneira que julgar mais adequada. Cumprindo as necessidades dos alunos de segunda a sexta-feira, o prefeito pode usar o transporte para outros fins, porém, se for utilizado inadequadamente, será advertido e cobrado por isso.
Reportagem: Francisco Pinto - uniaodosvales@gmail.com

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