quinta-feira, 24 de julho de 2014

Natureza

Santuário ecológico preservado na "Serra Bonita" 

"Jequitibá pode ter 400 anos"

       VERMELHO NOVO - De baixo podemos avistar a imensidão da serra na divisa do município de Vermelho Novo com Manhuaçu. A serra Mãe de Deus, que fica localizada entre a cabeceira das comunidades do Bom Jardim, Viturino, interligando ainda com a serra do Sudário na comunidade dos Lopes, um dos pontos mais altos do município, em toda sua extensão a serra é coberta pela mata atlântica. 
     A nossa reportagem visitou uma parte deste santuário ecológico, na cabeceira da comunidade do Bom Jardim, para conhecer um pouco da beleza natural ainda existente na região, esse paraíso abriga uma raridade, uma árvore de jequitibá, a maior que se tem conhecimento no município de Vermelho Novo, ela é uma espécie de árvore em extinção. 

O clima fica agradável dentro da mata
         Na serra o clima frio é propício para o cultivo do café, as lavouras fazem divisas com a mata preservada, todos anos centenas de toneladas do grão é produzido aqui. O solo rico em matéria orgânica, também, é fértil para outras culturas como o milho e hortaliças. Antes de entrar na mata fechada se tem uma vista de toda a região, o município de Vermelho Novo, e parte de Raul Soares e Caputira um mar de montanhas que desaparecem no horizonte azulado pela distância, uma imagem de cartão postal, que ficará para sempre gravada na memória de quem visita está maravilha em Vermelho Novo. 

       Dentro da mata fechada, o calor de quase 35º foi substituído por uma brisa fria e úmida, sensação de alívio depois da longa caminhada. Seguimos na trilha mata adentro em busca de conhecer a maior e provavelmente a árvore mais antiga ainda preservada. 
         Ao longo da subida senhor Paulo, o nosso guia e dono da propriedade, vai nos contando as histórias da floresta, lembrando a época da exploração madeireira que ocorreu na década de 60 e 70, os restos de troncos ainda estão por lá, em meio a mata fechada. "Muitas e muitas árvores foram retiradas deste local, um pouco no ano de 1965 e outra parte depois em 1974, na época a lei ambiental permitia e incentivava o desmatamento",contou senhor Paulo Eliziário, reiterando ainda que "meu pai tinha muito ciúme deste local e por isso nós cuidamos com muito carinho, para que as próximas gerações possam desfrutar deste santuário ecológico aqui existente". 
Ela pode ter quatro séculos de vida
         Avançamos ainda mais na mata fechada, o verde se contrasta com o marrom das folhas que se decompõem no chão, é o espetáculo da natureza presente aqui. A sombra das árvores abriga espécie da flora como a samambaia, a brejaúba, cipós que se contorcem para acompanhar a vida da floresta e flores espécies que só são encontradas em clima tropical e regiões montanhosas. A força do vento derruba árvores, e uma delas caiu bem na trilha, tivemos que abrir caminho por outro lugar. 

     Depois de muito tempo de caminhada avistamos o gigante se despontando em meio a mata, o tamanho do jequitibá impressiona, e a surpresa é substituída pela curiosidade de saber o seu real tamanho, afinal pela previsão, a árvore tem aproximadamente 400 anos de idade. A outra, da mesma espécie, com estatura semelhante, fica na zona rural de Caputira. Senhor Paulo, ajeita um cipó se aproximam do gigante e mede o seu diâmetro, puxa aqui, mede ali e logo o resultado: 32 palmo de diâmetro, mas a altura não foi possível calcular devido o tamanho do tronco que se espalha em centenas de galhos. Segundo senhor Paulo precisa de 6 a 8 homens para poder abraçá-lo. Mas o abraço maior ele já teve, ao seu redor várias árvores cuidam de sua proteção e podem um dia ocupar um lugar de destaque no meio da mata, algumas da mesma espécie já estão à caminho, e quem sabe mais gigantes rompe os séculos e asseguram a continuidade da espécie. Reportagens futuras não tratarão apenas de um, mas de muitos outros jequitibás.

PAU-BRASIL 

        Seguindo pela trilha no meio da floresta, tivemos mais uma vez que abrir caminho entre a vegetação, e encontramos a árvore que deu nome ao nosso país: o pau-brasil. Mesmo tímida encoberta por um amontoado de cipós e folhagem, ela nos mostra a cor avermelhada, presente em um de seus troncos que caiu com a força do vento e do tempo, a madeira de cor avermelhada que encantou os olhos dos europeus, também encantou os nossos. 
O pedaço da madeira nobre
    Após conhecer a deslumbrante beleza presente na serra é hora da despedida, despedir de um santuário que guarda belezas naturais, que para nós é uma raridade e que ainda é pouco conhecido por muitas pessoas da região, porém se depender da força da natureza e com a proteção dos guardiões invisíveis da floresta, ela ficará preservada e guardada, por muitos e muitos anos, para que as futuras gerações possam contemplar esse santuário que enfrentaram os intemperes e desafios seculares para se formar. 

Texto e Foto: Francisco Pinto | Reportagem realizada em 2012, veja o vídeo:







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